Quinta, 20 de julho de 2017
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Transtornos Depressivos e Fibromialgia

As dores difusas em uma população economicamente ativa são uma constante cada vez maior nos dias de hoje. Por vezes chegar a um diagnóstico preciso é bastante difícil, sendo que em inúmeros casos queixas inespecíficas de dores músculo esqueléticas são enquadradas como de origem profissional.

Cada vez mais prevalentes, estão elas na grande maioria das vezes relacionadas ao nível sócio econômico, estilo de vida, anseios profissionais e familiares.

Enquanto que, para o homem a satisfação maior encontra-se no emprego, para a mulher a vida familiar e as dificuldades financeiras costumam ser a maior causa de conflito.

Fibromialgia é um diagnóstico de relevância e que deve sempre ser pensado diante de quadros de dores difusas, visto que, a literatura mundial aponta um acometimento de até 0,5% da população economicamente ativa.

Com nítida prevalência nas mulheres em relação aos homens e maior incidência após a IV década da vida, apresenta como queixa e sintoma principal a dor difusa, generalizada e crônica, envolvendo regiões axiais e periféricas de todo o corpo.

Costuma estar presente em todo o decorrer do dia, sem grandes fatores de melhoras e com piora relacionada ao frio, umidade, tensão emocional e esforço físico. Sensação de inchaço de extremidades com formigamento são relatos comuns, não sendo esta a observação do médico examinador.

Nítida dissociação entre queixas clínicas e exame clínico, associado à imprecisão do início da sintomatologia fazem com que sejam necessárias importantes investigações na tentativa de algum diagnóstico palpável. Por vezes, no ambiente profissional existe, por parte do paciente, tentativa de uma associação entre o início da sintomatologia e algum evento ocorrido no ambiente de trabalho.

No exame clínico característico dos pacientes portadores de fibromialgia, é necessário o encontro de pontos dolorosos em determinados sítios anatômicos previamente descritos “Tender Points”, que se localizam em áreas de inserções musculares, bolsas sinoviais, tendões e ligamentos.

De acordo com os critérios aceitos para o diagnóstico da doença devem, ao exame clínico dos pacientes com suspeita de Fibromialgia, serem pesquisados 18 pontos dolorosos, sendo a positividade da doença firmada com a positividade de 11 pontos.
 

A quase totalidade de pacientes portadores de Fibromialgia tem como queixa primordial o cansaço, a dificuldade de dormir, o sono não reparador e a sensação de impotência frente aos problemas. Tais achados repercutem diretamente na vida profissional do indivíduo bem como nos seus relacionamentos familiares.

Importante se torna o afastamento de doenças sistêmicas que podem levar a um quadro Fibromiálgico (alterações hormonais da menopausa, hipotireoidismo, problemas infecciosos, alterações reumatológicas etc.) bem como de quadros depressivos, onde o tratamento específico se faz necessário.

Podendo ser enquadrada no grupo de doenças geradoras de dor crônica, leva ela a uma incapacidade cada vez maior, sendo que fenômenos de somatização e insatisfação contribuem de forma decisiva na perpetuação da sintomatologia.

Dr. Antonio Carlos Novaes (Reumatologista)
Especialista em Reumatologia e Medicina do Trabalho