Domingo, 24 de setembro de 2017
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A dor como manifestação de doença

A DOR é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, que pode ser decorrente ou não de uma lesão tecidual, de uma experiência emocional ou de um conflito afetivo, sendo esta, de uma maneira geral, o maior motivo das consultas médicas.

Já nos primórdios da medicina, Hipócrates descrevia que existem dores do corpo e dores da alma.

A Organização Mundial de Saúde define a Saúde como um bem estar físico e mental, sem a ocorrência de fatores agravantes que causem o seu desequilíbrio.

Com o advento dos tempos modernos, em que o conceito do “TER” passou a ser preponderante e determinante na sociedade capitalista, cada vez mais são as pessoas compelidas a sacrifícios na tentativa de alcançar uma meta maior de poder e status social. A não obtenção deste sonho causa conflitos e insatisfação.

Não só os Trabalhadores, mas também donas de casa, jovens e até crianças, muitas vezes submetidas a sobrecargas emocionais, entram em uma zona de conflito desencadeando quadros dolorosos que não são físicos, e sim, emocionais.

Não importa se as dores são do corpo ou da alma; o fato é que elas geram incapacidade.

Cada vez mais dores da alma são confundidas com dores físicas e doenças profissionais.

Inúmeros afastamentos são efetuados por médicos especialistas em ortopedia, clínica médica, geriatria, reumatologia, fisiatria e mesmo socorristas que, não atentos às realidades empresariais, firmam diagnóstico de doenças físicas/emocionais imputando à empresa a pressuposição de ser a causadora do mal.

Tais diagnósticos são por vezes realizados de uma maneira superficial através, muitas vezes, de consultas rápidas e mal remuneradas, não sendo embasadas em exames clínicos e pesquisas minuciosas de doenças concomitantes, nem mesmo em visitas aos locais de trabalho.

Para o diagnóstico de uma doença de origem profissional como nos casos das DORTs, é imprescindível uma formação em medicina do trabalho, uma visita ao local de trabalho e a exclusão de outras doenças de caráter não profissional.

Diagnósticos errados e precipitados de doenças músculos esqueléticas presumidas como de causa profissional têm gerado um ônus financeiro, não só às empresas empregadoras, como ao próprio poder público e a todos nós cidadãos que, de uma forma indireta iremos pagar essa conta.

Laudos emitidos em consultórios de profissionais não familiarizados com a realidade das indústrias têm servido de cobertor para a abertura de benefícios, muitas vezes superiores ao salário habitual do afastado que, a partir deste momento, se sente desmotivado ao retorno as suas atividades.

Dr. Antonio Carlos Novaes (Reumatologista)
Especialista em Reumatologia e Medicina do Trabalho