quinta, 24 de abril de 2014
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LER DORT
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Valor dos exames subsidiários ou complementares no diagnóstico de LER/DORT

Existe, não só por parte da comunidade médica quanto dos próprios trabalhadores, peritos e juízes, uma grande ansiosidade no tocante a exames que possam confirmar o diagnóstico de LER/DORT.

A propedêutica armada hoje disponível que consiste de exames radiológicos, eletroneuromiografias, ultrassonografias, ressonâncias magnéticas e exames de sangue podem, na grande maioria das vezes, confirmar a presença de uma determinada doença; porém, até o momento, não há exame que possa comprovar a existência da LER/DORT.

O diagnóstico nos casos suspeitos de LER/DORT deve ser sempre feito à luz da anamnese, do exame clínico, da presença de casos semelhantes dentro da mesma empresa (grupos homogêneos de risco), das condições de trabalho dentro da empresa e, por último, dos exames subsidiários e da propedêutica armada, que devem ser solicitados sempre de forma objetiva, com critério, e não de forma indiscriminada.

Uma máxima dentro da medicina é de que para se saber o que encontrar é necessário saber o que procurar; ou seja, o médico deve sempre ter em mente um diagnóstico inicial.

Exames muitas vezes solicitados ao acaso confirmam a presença de alguma alteração, sem que esta tenha qualquer correlação com o trabalho.

São comuns os casos de tendinites em mulheres portadoras de Hipotireoidismo, alteração esta hormonal e com alta prevalência, de maneira sub-clínica na pré menopausa, bem como em determinados processos infecciosos.

Ao se solicitar uma propedêutica armada o médico solicitante tem sempre que ter em mente alguns dados importantes.

Quanto à Ultra sonografia – É este um método diagnóstico operador dependente, de grande subjetividade e de difícil interpretação, no qual a qualidade do exame, o tipo de aparelho usado e a experiência do examinador são primordiais para a validade do exame. Muito útil na mão de profissionais qualificados e experientes quando na análise das doenças músculo esqueléticas deve sempre ser feito na estrutura contra lateral, de forma que o membro investigado tenha como seu padrão o membro do outro lado. Útil para a constatação da presença de tendinites, tenossinovites, cistos sinoviais, rupturas musculares ou qualquer conteúdo líquido, jamais poderá atestar a causa que desencadeou o processo.

Quanto à Eletroneuromiografia – Exame usado para testar se um estímulo nervoso está ou não chegando a sua sede e com isso provocando uma contração muscular; é um exame útil para confirmar o diagnóstico de síndromes compressivas, orientando quanto a região anatômica da sua origem. Como os demais métodos de diagnóstico, jamais poderá atestar a causa do retardo no estímulo nervoso, podendo, no entanto, localizar a sua sede.

Bastante utilizada para a confirmação da Síndrome do Túnel do Carpo, não consegue ela por si só determinar quais das mais de 100 causas deram origem ao problema. Pessoas que nunca trabalharam podem ter síndrome do túnel do carpo com eletroneuromiografia positiva, sem serem portadoras de LER.

A positividade de uma eletroneuromiografia não nos permite afirmar que é o trabalhador portador de LER.

Quanto à Ressonância Magnética - Exame de alto custo e extrema sofisticação, não deve ser realizado como rotina. Muito útil para o diagnostico de alterações anatômicas de partes moles, de hérnias discais, de tumores e abcessos, não permite afirmar qual a causa da doença e sim, a sua presença. Na grande maioria das vezes, permite verificar achados não relacionados ao diagnóstico em questão.

Alterações detectadas por estes métodos informam ao profissional solicitante a existência de doença, porém, não informam se a mesma é ou não proveniente do trabalho.

Somente a vistoria na frente de trabalho (para verificação das condições em que o trabalho é executado) e, a entrevista com o grupo homogêneo de risco e que desempenha a mesma função, dará um indicativo se a doença é ou não de origem profissional.

Diagnósticos diferenciais devem sempre ser esclarecidos antes do estabelecimento do nexo profissional.

Dr. Antonio Carlos Novaes
Especialista em Reumatologia e Medicina do Trabalho


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